segunda-feira, 30 de julho de 2007

O PEQUENO HENRIQUE E A MORTE



A morte de nosso canário o “ti” revelou-se um marco para as interrogações do “infante” Henrique sobre a morte.

MORRE O PÀSSARO
- Mãe por que o “ti” morreu?
- Há meu filho! Porque ele tava muito velhinho e na vida é assim: quando vamos ficando Velhinhos, bem velhinhos, um dia morremos.
- Mãe eu vou morrer?
- Vai meu filho, todo mundo um dia vai morrer.
- Você, o papai, a vovó vai todo mundo morrer?
- Vai meu filho, um dia quando ficarmos velhinhos vamos todos morrer, ninguém vive para sempre, ninguém vira semente.

A AVÓ (meses depois)
- Mãe, todo mundo morre, não é?
- É meu filho.
- Quando a gente fica bem velhinho a gente morre, né?
- É.
- Mãe a vovó Dona Ercília vai morrer primeiro, né?
- Vai meu filho, sua avó está bem velhinha ela deve morrer primeiro.
- Ta.

INQUIETAÇÕES NUM DIA DE CÉU DE BRIGADEIRO (meses depois)
Tomávamos banho na nossa piscina de plástico num dia tórrido de verão destas épocas de aquecimento global, Henrique admirava o céu de brigadeiro...
- Mãe quando a gente morre vai pro céu, né?
- É.
- Mãe e o que a gente faz no céu?
- Sei lá meu filho! Acho que fazemos coisas iguais às fazemos aqui...
- Mãe quanto tempo à gente fica no céu?
- Há meu filho! Sei lá, Um tempo, depois a gente nasce de novo...
- E depois?
- Depois quando nascemos de novo é diferente! Podemos nascer outra pessoa, fazer coisas diferentes, podemos ser quem quisermos, por exemplo: Você pode nascer mamãe e eu ser seu filho, já pensou? (arrogância de mãe espiritualista)
- E você Henrique quer ser o que quando nascer de novo? (pai)
- Então, eu não posso ser eu mesmo?

(continua)











SP, 15/04/2007.

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