O automóvel corre, a lembrança morre
O suor escorre e molha a calçada
Há verdade na rua, há verdade no povo
A mulher toda nua, mais nada de novo
A revolta latente que ninguém vê
E nem sabe se sente, pois é, pra quê?
( Sidney Miller)
Eram os anos 70, nasci nos anos do governo Medici, sempre achei isso triste, nascer na fase mais dura dos anos de chumbo é como carregar uma dor coletiva de saber que no país que você nasceu pessoas morriam e eram torturadas por lutar por democracia e liberdade.
Prezo essas duas, democracia e liberdade, como princípios fundamentais da vida em sociedade. Não admito viver sem elas!
Os anos eram duros, mas a esperança e o amor da juventude eram maiores. A angústia, o sofrimento não impediam o amor de acontecer. Ser jovem e idealista é encontar nas brechas o respiro necessário. Assim, eles se encontraram: no acaso de terem a mesma visão de mundo. Mundos distintos, ideais em comum. Não sei o que une e matém casais, mas desconfio q afinidades, respeito e admiração são alguns dos ingredientes.
Das memórias da minha primeira infância, vivida em São Paulo, num morar dividido entre a casa da minha bisavó e a dos meus pais, tem o som e a poesia de "Pois é Pra Quê?". Música preferida dela, cantada na voz de baritono dele, nos passeios, dentro de um fusca, nos fins de semana. Eram momentos ternos e alegres.
O jornal comenta, um rapaz tão moço
O calor aumenta, a família cresce
O cientista inventa uma flor que parece
A razão mais segura pra ninguém saber
De outra flor que tortura, pois é prá quê?
Do berço querido
O céu lindo e azu.
Os pai, pesaroso, nos fio pensando,
E o carro rodando
Na estrada do Su.

Obrigada pela homenagem
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